segunda-feira, 1 de junho de 2015

Final (in)feliz?!

No escuro, sem amparo, sem condições de ter esperança, ela aguardava ali. Esperava ansiosamente para ver novamente aqueles lindos olhos castanhos que haviam dito "Não se preocupe, eu vou te encontrar, aonde quer que te levem!". Ao lembrar daquelas palavras sinceras, começou a chorar, desesperadamente e enlouquecidamente. Então ouviu uma voz masculina dizer "Cala a boca, desgraça!". Não viu quem foi,porque estava chorando, mas obedeceu para não arranjar mais problemas. Continuou chorando, mas baixinho, deitada na cama onde seu pé estava amarrado, e adormeceu, pensando no dono dos olhos castanhos. Quando acordou, já de manhã, percebeu que estava sozinha, mas havia comida dentro do quarto. Correu para a mesinha onde o prato estava apoiado e apreciou a comida, apesar de ter comido pela última vez na noite anterior, na noite em que foi sequestrada. Sentada na cadeira, ela pôde perceber que o quarto em que estava era bonito. Era rosa, com uma das parede mais forte, a parede da cama. Em cima da cama, tinha uma janela que dava vista para um lago. Na cômoda ao lado da mesa, haviam fotos de uma menina que parecia ter a mesma idade da que via a foto. Ela era tao linda, com cabelos cacheados, mas não enrolados. Olhos verdes que passavam uma serenidade, um sossego. Um sorriso tão lindo, tão contagiante que a garota até sorriu. Ao ouvir passos, colocou cuidadosamente a foto no lugar e voltou a comer, em silêncio. "Querida, chequei!", falou a mesma voz que ela tinha ouvido na noite passada. "Com quem será que ele está falando?", pensou a menina enquanto mordia a maçã. O homem entrou no quarto e lhe deu um abraço. Ela estava completamente confusa, mas retribuiu o abraço com muito receio. "Olha o que o que eu comprei pra você!", ele disse, mostrando um vestido rosa. Analisando o vestido, ele era extremamente lindo, com decote em 'v' e com uma saia rodada indo, aparentemente, até o joelho. A garota murmurou um "obrigada" e pegou um vestido, temendo que se não aceitasse ele poderia fazer alguma coisa com ela. "Veste!",o cara disse com um sorriso no rosto que dava até medo. Ela disse que só vestiria se pudesse ficar solta. O homem ficou com um pouco de receio, mas acabou considerando. A menina pensou em correr, mas o cara conhecia melhor esse território e iria atrás dela. Ela pediu licença, ele cedeu. Assim que ele saiu do quarto, ela trancou a porta, revirou  o guarda-roupas da dona do quarto achou o que precisava para tomar banho. Lavou o cabelo, tomou banho, colocou o vestido, e fez uma trança simples no cabelo. Calçou uma sandália branca, que por incrível que pareça era de seu número. Saiu do quarto morrendo de medo, mas não deixou isso à vista na sua expressão. Viu que a casa também era muito bonita e bem arrumada. Procurou pelo homem e não conseguiu achar. Foi até a sala e avistou o telefone. Pensou por um instante, mas quando percebeu, já estava ligando para a emergência. "Mas....", desligou o telefone e ligou para o garoto de olhos castanhos, que não atendeu. Deixou uma mensagem de voz no celular dele dizendo que estava bem, aonde aparentemente estava, pediu que não ligasse de volta porque o sequestrador poderia atender, disse que o amava e falou para comunicar a polícia. Desligou o telefone e voltou para o quarto. Revirou a cômoda e acabou achando o diário da dona do quarto, que se chamava Isabel. Quando olhou a última folha em que ela escreveu, a garota percebeu que a próxima não estava com sua letra, mas era uma carta, de uma outra menina, dizendo que também foi sequestrada, mas conseguiu escapar. Quando virou a página, apareceu uma nova letra e ela leu que várias meninas, mais ou menos da idade dela, foram sequestradas. Nas cartas elas não sabiam o porquê do sequestro, mas sabiam que teriam que sair dali rapidamente.  A garota se desesperou quando ouviu o ranger do portão enferrujado que ficava na frente da entrada. Guardou o diário, num lugar escondido, e foi para a sala ler uma revista. O homem entrou e falou que iria preparar o jantar. Quando o jantar ficou pronto, ela se sentou na mesa e criou coragem para perguntar porque ela estava ali. Ele a olhou com um sorriso sinistro e respondeu "Porque nós moramos aqui, minha querida!". "EU NÃO SOU SUA QUERIDA!", ela gritou, sem pensar nas consequências que isso poderia causar."Cala a boca, você anda muito mal-criada, Isabel." Foi então que ela percebeu. A garota de olhos verdes e cabelos castanhos era, de certo modo, parecida com ela, de certa forma. E provavelmente com as outras garotas também. Como estavam tomando sopa, ela criou coragem e jogou a sopa no olhos daquele homem e saiu em disparada a correr pela floresta. Correu até que suas pernas não aguentassem mais. A última coisa que viu antes de desmaiar de cansaço foi um garoto de olhos castanhos correndo em sua direção. Quando ela acordou, percebeu que estava confortavelmente acomodada nos braços dele. Do garoto que a fazia suspirar apenas por ter olhado ela nos olhos. Seus profundos olhos castanhos estavam olhando-na quando acordou. "Mel!" E ela ouviu a doce voz que a fazia ficar com as pernas bambas. "Pedro!", ela falou com lágrimas escorrendo suavemente no seu roso enquanto permanecia nos braços que a enlaçavam, nos mesmos braços em que ela adormecia nos finais de semana. "ISABEL!" Ouviu-se uma voz ao longe e resolveram sair correndo. Na noite passada, Mel não havia percebido que tinha torcido o pé, mas assim que levantou a dor invadiu seu corpo e fez com que ela gemesse de dor. Pedro tentou carregá-la e quando estavam prestes a sair, ouviram um tiro. Mel deu um suspiro, com medo e dor, e olhou nos olhos castanhos com uma expressão angustiante. Pedro correu para que pudesse segurá-la antes que caísse. Ele a chamou e começou a chorar quando viu a mancha de sangue nas costas do vestido rosa. Ele a deitou em seu colo se desculpando e limpando aquelas lágrimas que o impediam de enxergar nitidamente o rosto da menina. "Shh!" Ela pediu. " Não precisa chorar, eu ainda estou aqui!" O sorriso sereno dela fazia com que ele chorasse, mas de raiva dele mesmo por ter ido salvá-la e não conseguir. " Mel, eu te amo... E eu espero que você possa me perdoar por não ter conseguido te salvar!" Ela o beijou como se fosse a última vez que o beijaria, e era realmente a última. " Eu te perdoo... E eu também te amo..." E após essa frase, ela deu o último suspiro, fechou os olhos e uma lágrima (a última) escorreu até que caísse sobre a mão do namorado.